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Carta aos Leitores
O final do ano foi movimentado para o setor de energia. O 8º Encontro Anual do Mercado Livre, realizado entre os dias 24 a 26 de novembro, abordou pontos cruciais para o desenvolvimento do mercado, como a formação de preços, a portabilidade e a geração distribuída.
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Paulo Pedrosa: geração do mercado livre chegou ao poder
A geração do mercado livre chegou ao poder e tem responsabilidade pelo aprimoramento do modelo setorial. Ao mesmo tempo, o governo é simpático e entende bem o Ambiente de Contratação Livre (ACL), querendo mostrar para a sociedade que o mercado é capaz de trazer eficiência ao setor. (leia mais)
Certificação por um mercado ainda mais qualificado
Os 26 profissionais que atuam com comercialização de energia elétrica aprovados na edição deste ano da Certificação de Operadores do Mercado de Energia Elétrica foram convidados para subir ao palco para entrega simbólica dos certificados durante o encontro na Bahia. (leia mais)
Agência Estado, Canal Energia e RIC TV Record recebem prêmio de jornalismo da Abraceel
O segundo painel do evento trouxe os pontos relevantes para o mercado livre no projeto de P&D da Abradee. Antônio Farinha, sócio da Bain, empresa que está à frente do projeto de P&D, iniciou a discussão, trazendo os objetivos gerais do projeto. (leia mais)
P&D: um novo rumo para o setor elétrico brasileiro
A expansão e o gerenciamento da oferta, a comercialização de energia e o modelo de negócios serão os três principais blocos do Projeto de P&D Estratégico, que visa promover aprimoramentos ao modelo setorial. (leia mais)
Modelo de formação de preços e comercializador varejista desafiam portabilidade
O desenvolvimento de um mercado livre totalmente aberto exige a superação de alguns desafios, como o modelo de formação de preços e os subsídios às tarifas de energia elétrica, na avaliação do secretário Paulo Pedrosa, apresentada em debate sobre o futuro do mercado livre realizado no segundo dia do evento. (leia mais)
EPE: expansão da geração via mercado livre
O presidente da EPE, Luiz Barroso, considera que o modelo mais adequado de expansão da geração via mercado livre é a separação de lastro e energia. (leia mais)
Rumo a um novo mercado de gás natural
O governo pretende criar um comitê, com agentes da indústria, para conduzir a transição do setor de gás natural conforme os passos delineados pelo programa Gás para Crescer. (leia mais)

Carta aos Leitores

Caro Leitor,

O final do ano foi movimentado para o setor de energia. O 8º Encontro Anual do Mercado Livre, realizado entre os dias 24 a 26 de novembro, abordou pontos cruciais para o desenvolvimento do mercado, como a formação de preços, a portabilidade e a geração distribuída. Compartilhamos conhecimentos, durante os painéis de discussão, e premiamos os vencedores do I Prêmio de Jornalismo Mercado Livre de Energia Elétrica e Energias Renováveis 2016. O prêmio, nas categorias de mídia eletrônica, mídia escrita e mídia especializada, objetiva incentivar a cobertura qualificada do nosso setor, de modo a levar informação de qualidade para a sociedade. No encontro, realizado na Bahia, a Abraceel ainda fez a entrega simbólica dos certificados dos 20 profissionais aprovados na 5ª Prova de Certificação de Operadores do Mercado de Energia Elétrica e dos seis aprovados na 1ª Prova de Revalidação de Certificados emitidos em 2011 e 2012.

Também tivemos um novo encontro para discutir as principais medidas necessárias para o crescimento sustentável do mercado livre. No dia 29 de novembro, a Abraceel se reuniu com a diretoria da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com o presidente Luiz Barroso e o diretor de Estudos Econômico-energéticos e ambientais Amilcar Guerreiro, e com o Deputado Fábio Garcia (PSB/MT).

Na ocasião, Barroso falou sobre as condições para a abertura total do mercado livre no Brasil. Destacou a importância da adequação dos mecanismos de formação de preços, inicialmente por meio de ajustes na metodologia de cálculo do PLD. Outro ponto relevante é a necessidade de definição do responsável pelo atendimento de consumidores que não consigam ou não queiram escolher seu fornecedor ou em caso de eventual quebra de uma comercializadora, considerando que, em um cenário de abertura do mercado, a distribuidora deverá ser responsável somente pelo transporte da energia. O Deputado Fábio Garcia também demonstrou preocupação sobre como será a expansão da oferta de energia livre e defendeu a importância de se definir uma proposta de data para a abertura do mercado.

Esse engajamento de diversos stakeholders é essencial para a evolução sustentável e harmoniosa do mercado livre no Brasil e, certamente, fará a diferença para que os próximos passos do nosso setor sejam cada vez mais sólidos.

Espero que você aprecie a leitura e, caso queira algum esclarecimento ou tenha interesse em conhecer mais sobre a Abraceel, entre em contato através do e-mail abraceel@abraceel.com.br.

Atenciosamente,

Cristopher Alexander Vlavianos
Conselheiro da Abraceel
www.abraceel.com.br

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Paulo Pedrosa: geração do mercado livre chegou ao poder

A geração do mercado livre chegou ao poder e tem responsabilidade pelo aprimoramento do modelo setorial. Ao mesmo tempo, o governo é simpático e entende bem o Ambiente de Contratação Livre (ACL), querendo mostrar para a sociedade que o mercado é capaz de trazer eficiência ao setor. Essa foi a principal mensagem do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, em palestra no 8º Encontro Anual do Mercado Livre, realizado na Praia do Forte, em Salvador, nos dias 24 a 26 de novembro.

Esse desejável alinhamento de expectativas entre o governo e os agentes de comercialização de energia ficou demonstrado pelo fato de que, ao contrário das edições anteriores, o encontro contou com a presença maciça de representantes do governo durante os três dias de debates. Participaram como palestrantes, além de Pedrosa, o secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério, Márcio Félix, e o presidente da EPE, Luiz Barroso, conforme detalhado nesta edição especial da Conexão Abraceel. Os representantes do governo contribuíram ativamente para os debates ao longo de todo o evento, apresentando sempre uma visão técnica sobre as questões em discussão, em busca da eficiência para o desenvolvimento do setor.

Aprimoramento na formação de preços – Na visão de Pedrosa, os pontos prioritários para a abertura do mercado incluem o aprimoramento dos preços de curto prazo, uma reavaliação do sistema de subsídios, o empoderamento dos consumidores e a busca de um mecanismo sustentável para a expansão da geração.

De maneira geral, a visão e o otimismo de Pedrosa foram compartilhados pelos demais palestrantes. “O País está em novas mãos e a equipe à frente do setor elétrico impressiona por sua qualificação e assertividade. Com esse novo governo, temos confiança de que as intervenções do Estado devem ficar para trás e de que estamos diante de importantes desafios, como a privatização, o aumento da eficiência setorial e a expansão coordenada do ACL”, destacou o presidente do Conselho de Administração da Abraceel e anfitrião do evento, Oderval Duarte, que também ressaltou as recentes conquistas da atual administração federal, como a coragem de vetar, da MP 735/2016, dispositivos indesejáveis que haviam sido incluídos pelo Congresso Nacional.

Na mesma linha, o presidente do Grupo Canal Energia, Rodrigo Ferreira, felicitou a maciça presença do governo no encontro. Ferreira relembrou que Pedrosa e o atual presidente da EPE, Luiz Barroso, estiveram em edições anteriores, quando estavam à frente de entidades privadas, e a participação de ambos na edição 2016 demonstra a coerência do atual governo. Por outro lado, lamentou a ausência da Aneel, que poderia enriquecer ainda mais as discussões.

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Certificação por um mercado ainda mais qualificado

Os 26 profissionais que atuam com comercialização de energia elétrica aprovados na edição deste ano da Certificação de Operadores do Mercado de Energia Elétrica foram convidados para subir ao palco para entrega simbólica dos certificados durante o encontro na Bahia. O presidente-executivo da Abraceel, Reginaldo Medeiros, salientou a importância do processo para o mercado, na medida em que estimula a busca pelo conhecimento e o desenvolvimento dos profissionais.

Realizada em outubro, a prova de certificação é uma iniciativa da Abraceel em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), vinculada à Universidade de São Paulo (USP). Em 2016, também foi realizada a primeira revalidação de certificados emitidos em 2011 e 2012.

Com os resultados deste ano, o mercado brasileiro atingiu a marca de 86 profissionais que já obtiveram a certificação, conforme destacou o professor Carlos Cugnasca, da USP/FDTE. Destaque ainda para o fato de que, na prova de habilitação, foi registrado recorde de aprovação: dos 47 inscritos, 20 foram aprovados (índice de 41% de aprovação). Na prova de revalidação, os 6 profissionais inscritos tiveram êxito.

Voltada para profissionais que atuam no mercado de energia elétrica, a certificação comprova o conhecimento desses profissionais para lidar com os processos técnicos, legais, regulatórios e operativos inerentes à comercialização no âmbito do mercado de energia. Todos os profissionais aprovados estão autorizados a utilizar a logomarca da certificação nos contatos profissionais, cartão de visitas e assinatura eletrônica.

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Agência Estado, Canal Energia e RIC TV Record recebem prêmio de jornalismo da Abraceel

Os jornalistas Luciana Collet (Agência Estado), Maurício Godoi (Canal Energia) e Paulo José Mueller (da RIC TV Record) foram os vencedores do I Prêmio de Jornalismo Mercado Livre de Energia Elétrica e de Energias Renováveis, promovido pela Abraceel. Os prêmios, de R$ 5 mil cada um, foram entregues durante a abertura do encontro na Bahia.

O prêmio foi criado com o objetivo de reconhecer o esforço dos profissionais da imprensa para esclarecer questões sobre o mercado livre de energia e o desenvolvimento de fontes renováveis, levando ao conhecimento do público temas centrais para a modernização e desenvolvimento sustentável do setor elétrico nacional. No total, foram inscritas 50 reportagens.

Para concorrer, os trabalhos tinham de tratar do mercado livre de energia elétrica, seus benefícios para os consumidores e a economia em geral, as atividades desenvolvidas no ACL, seu papel na economia brasileira e fontes renováveis de energia. Os textos poderiam versar ainda sobre os consumidores que optaram pelo mercado livre de energia elétrica e os agentes econômicos que operam nesse mercado. Além disso, podiam ser abordados aspectos específicos do mercado livre brasileiro, como questões relacionadas à regulação setorial e comparações com outros países.

O julgamento teve duas etapas. Na primeira, todas as reportagens inscritas foram avaliadas pelos associados da entidade; na segunda, as cinco reportagens mais bem avaliadas de cada categoria foram encaminhadas a um júri especializado, formado pela Gerente de Relações Institucionais da CCEE, Kátia Ogawa, a professora de Comunicação Social pela Universidade de Brasília Thaís de Mendonça, e o professor do departamento de Jornalismo da Fundação Casper Líbero Pedro Ortiz.

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P&D: um novo rumo para o setor elétrico brasileiro

A expansão e o gerenciamento da oferta, a comercialização de energia e o modelo de negócios serão os três principais blocos do Projeto de P&D Estratégico, que visa promover aprimoramentos ao modelo setorial. O assunto foi tratado por Antônio Farinha, sócio da consultoria Bain, empresa que está à frente do projeto de P&D, em palestra durante o evento na Bahia. O especialista também destacou que o projeto deve buscar os benefícios máximos para todo o setor, e que a perspectiva é que haja forte interação entre governo, mercado e regulador.

As mudanças propostas serão acompanhadas de análise de impacto regulatório. “A análise é realizada em vários países como instrumento de legitimação das alterações propostas pelos reguladores de diversos ramos e objetivam reduzir os custos do mercado”, destacou o advogado Julião Coelho, do escritório Julião Coelho Advocacia, que também participa do consórcio do projeto. Aberta a palavra aos participantes da mesa, os presentes elencaram os pontos de maior preocupação para os respectivos segmentos:

MME como timoneiro – Mario Menel, presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), destacou que o projeto pode ser uma oportunidade para o setor exercer o diálogo com o governo, a partir das alterações do novo modelo comercial. Menel ressaltou que o Ministério deverá sinalizar a direção do projeto, fazendo com que o trabalho tenha possibilidade de ser de fato implementado como um novo marco regulatório setorial.

Separação de lastro e energia – Para o Presidente do Conselho de Administração da Apine, Guilherme Velho, são necessárias muitas mudanças para que esse ponto seja implantado e garanta a expansão, de forma sustentável, do mercado de energia elétrica.

Mais transparência, menos encargos – Camila Schoti, gerente da Abrace, acredita que o projeto deve trazer maior transparência ao setor, além de uma oportunidade de mudanças. Ela reforçou que a transferência de custos para o gerador, ocasionada por medidas como a repactuação do risco hidrológico, não deve ser a tônica das mudanças setoriais, pois os consumidores não suportam mais novos encargos.

Segurança jurídica – Mariana Amim, assessora jurídica da Anace, pontuou que é necessário resgatar a segurança jurídica do setor, respeitando a alocação de risco e previsibilidade e focando na competitividade setorial.

Modelo mais sustentável e sólido – Fábio Zanfelice, representando a Abeeólica, relembrou o histórico de mudanças que o modelo comercial do setor passou e falou sobre a importância pela busca de um novo modelo mais sustentável e sólido.

Propostas concretas em favor da evolução setorial – Reginaldo Medeiros, da Abraceel, fez considerações sobre a falência do modelo atual e observou que o setor elétrico regulado repassa custo no Brasil com muita facilidade aos consumidores. Por muitos anos, a associação foi voz única sobre a necessidade de uma alteração estrutural do modelo. Sem tal reestruturação, o modelo passou por diversos retoques, que formaram um efeito cascata de ajustes regulatórios e fragilizaram o marco do setor. “Daqui pra frente, não devemos mais pensar sobre o que a sociedade pode fazer pelo setor elétrico, como assumir riscos e pagar encargos, mas sim o que o setor elétrico pode transferir para sociedade, como o poder de escolha, a competitividade e baixos preços”, destacou Medeiros.

Precificação adequada – O presidente da Abragel, Leonardo Sant’Anna, enfatizou a oportunidade de expansão que está diante do setor brasileiro, que tem consumo menor do que o de países como Chile e Argentina. Reforçou ainda a necessidade de se “precificar” adequadamente as fontes de energia, para que se tenha uma otimização da utilização dos recursos energéticos.

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Modelo de formação de preços e comercializador varejista desafiam portabilidade

O desenvolvimento de um mercado livre totalmente aberto exige a superação de alguns desafios, como o modelo de formação de preços e os subsídios às tarifas de energia elétrica, na avaliação do secretário Paulo Pedrosa, apresentada em debate sobre o futuro do mercado livre realizado no segundo dia do evento. A mesa teve participação também do presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, e moderação de Reginaldo Medeiros, da Abraceel.

Em relação aos subsídios às tarifas, Pedrosa informou que o MME está articulando com as principais associações do setor um ajuste nos subsídios. Outra frente de atuação do governo para que o mercado seja mais bem estruturado é o tratamento na formação de preços. Pedrosa entende que o PLD deve buscar a realidade operacional, dando o sinal econômico adequado aos agentes.

A expansão da oferta, com a abertura do mercado, também deve ser revista. “É preciso combinar a agilidade e eficiência do ACL para garantir a expansão de todo o sistema”, disse. Destacou ainda que a transição de migração também é uma questão a ser observada. Para Pedrosa, é preciso adequar a regulação para que não haja um passivo de contratos legados, que poderia onerar todos os consumidores.
Medeiros reforçou seu otimismo com as ações do governo para ampliação do mercado, mas ressaltou que é necessária a direção do governo para um novo design do mercado de energia. Também levou novas discussões à mesa, questionando o presidente do Conselho da CCEE, Rui Altieri, em relação à visão da Câmara sobre a separação entre atacado e varejo.

Comercializador varejista – Altieri afirmou que a visão sobre a separação entre atacado e varejo está clara para a Câmara, mas é preciso que os mecanismos para tanto efetivamente deslanchem, se referindo ao comercializador varejista. “Essa figura é essencial para a ampliação sustentável do mercado. Não há possibilidade de um aumento de agentes de pequeno porte na CCEE”, afirmou.
A principal preocupação da Câmara é que, muitas vezes, esses agentes têm dificuldades para gerir suas obrigações. Por esse motivo, está aumentando o número de desligamento por questões que poderiam ser resolvidas de forma simples, como o atraso do pagamento de mensalidade e débitos de valores relativamente muito baixos.

Altieri destacou ainda a questão da judicialização setorial. Ele acredita que, caso não se resolvam as questões judiciais que impactam a liquidação do MCP, existe o risco de o mercado travar novamente, como aconteceu no ano passado.

Corrida contra o tempo – Diante de tantas preocupações, Medeiros questionou Pedrosa quanto ao prazo com o qual o governo trabalha para realizar as alterações em discussão, levando em consideração que a atual gestão tem pouco mais de um ano e meio para finalizar as atividades. O secretário respondeu que o governo trabalha para resolver tudo até o final do mandato e que, se tivesse de colocar uma prioridade, que poderia resolver imediatamente diversos problemas setoriais, seria o sinal de preço de curto prazo. “Com um preço de curto prazo que reflita a realidade, os mecanismos de mercado devem se adequar, como o incentivo para expansão da oferta e a reação da demanda dos consumidores”, disse.

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EPE: expansão da geração via mercado livre

O presidente da EPE, Luiz Barroso, considera que o modelo mais adequado de expansão da geração via mercado livre é a separação de lastro e energia. “Hoje, a expansão do setor é baseada num sistema muito confortável aos geradores, que é a contratação de energia, via contratos com o mercado regulado, pelo período de 30 anos e indexados ao IPCA. Com a separação de lastro e energia, o mercado passaria a contratar não mais energia, mas sim lastro para garantir o consumo dos agentes”, explicou Barroso, acrescentando que isso deixaria à livre disposição a energia dos empreendimentos, podendo ser alocada nos mercados cativo ou livre.

O valor referente à contratação do lastro poderia ser pago por todos os consumidores, via encargo de capacidade. Barroso lembrou que, embora a proposta esteja em discussão, também é preciso analisar uma política de transição entre os modelos.

Em relação à possibilidade de participação do ACL nos leilões de contratação de energia, o presidente da EPE avalia que ela é possível e favorável, mas precisa de ajustes para funcionar corretamente. “Acontece que os consumidores do mercado livre não estão dispostos a contratar energia por 30 anos, como faz o ACR, então é necessário avaliar mecanismos que tragam contratos coerentes com a contratação do ACL”, disse. Outra preocupação diz respeito ao aporte de garantias para participação, que pode ser demasiadamente onerosa para os agentes desse mercado, a exemplo do que aconteceu em países como o México.

Financiamento – A mesa de discussão sobre a expansão da geração via mercado livre também contou com a participação de Alexandre Siciliano, gerente da área de energia do BNDES, e André Flores, vice-presidente da Brookfield Energias Renováveis. A moderação foi de Fábio Zanfelice, presidente da Votorantim Energia.

Siciliano, do BNDES, destacou que o banco precisa de previsibilidade e que, por esse motivo, é necessário trazer novos mecanismos de financiamento de empreendimentos no ACL. Um mecanismo que está em avançada discussão, inclusive com participação direta da Abraceel, é a possibilidade de o banco aceitar um mecanismo de contratos rolantes, que trazem maior previsibilidade ao banco. A entidade está aberta para debater o assunto.

Flores, da Brookfield, entende que um dos principais pontos para garantir a expansão da oferta via mercado livre é a fidelidade do PLD ao despacho. Dessa forma, os investidores teriam um menor grau de incerteza para participar de empreendimentos com longo prazo de retorno.

Formação de preços – O moderador questionou Barroso sobre suas expectativas quanto ao futuro da formação de preço no país. Barroso avalia duas possibilidades: despacho por custo (praticada atualmente) e formação do preço por oferta.

A metodologia de despacho por custo utiliza o conhecimento de um único agente para determinar o preço, um ponto negativo, mas traz como ponto positivo a possibilidade de todos os agentes tentarem reproduzir os valores que serão determinados. Essa metodologia coíbe o poder de mercado, pelo fato de os consumidores e geradores não darem lances para formação de preço, mas também pode ser muito frágil, pois necessita de dados e de governança bem definida para dar previsibilidade ao mercado.

Quanto à formação de preço por oferta, a ideia é que o preço seja formado pelo mercado, pulverizando as expectativas de todos os agentes. Esse modelo retrataria, portanto, de forma mais fiel, a necessidade do mercado pela energia.

O presidente ressaltou que o governo está fazendo análises que devem aprimorar a formação de preço, como a consulta pública nº 022 de 2016, elaborada pelo MME e que deve definir a governança dos modelos computacionais. A boa definição da governança da formação de preço seria a última iniciativa do governo antes da migração para a formação de preço por oferta.

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Rumo a um novo mercado de gás natural

O governo pretende criar um comitê, com agentes da indústria, para conduzir a transição do setor de gás natural conforme os passos delineados pelo programa Gás para Crescer. A informação foi apresentada pelo secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Márcio Félix, em palestra durante a qual voltou a chamar a atenção para a janela de oportunidade vivida pelo setor com a diminuição da participação da Petrobras no mercado.

A mesa para tratar do tema também contou com a presença do gerente geral de Compra de Gás Natural e Comercialização de GNL da Petrobras, Alvaro Tupiassú, e do diretor de Gás da Ecom Energia, Percival Amaral. A moderação foi realizada por Walfrido Ávila, presidente da Tradener.

Nesse cenário de transição, conforme Félix, é importante que sejam analisados pontos que garantam uma transição sustentável para o setor, como o compartilhamento de infraestruturas essenciais, gestão independente da malha de transporte, integração entre o setor elétrico e o de gás natural e a harmonização entre a regulação dos estados.

Tupiassú falou sobre os principais pontos enxergados pela Petrobras para dar continuidade ao desenvolvimento do mercado de gás natural.

• Tributação – Permitir que o fluxo físico seja ignorado, e a tributação, realizada de acordo com o fluxo contratual. Essa medida deve ser tomada o mais rápido possível.
• Transporte – O transporte é contratado ponto a ponto, é necessário contratar todos os transportadores no caminho em que a molécula vai percorrer. Semelhante ao que se fez na Europa, o Brasil deve adotar um regime de capacidade por entradas e saídas.
• Coordenação central – É necessária a coordenação central, não só para operação, mas também para a expansão e previsibilidade de alocação.
• Coordenação estadual e federal – Tem de haver competição na demanda. Muitos estados estabelecem barreiras de entrada muito altas aos consumidores livres.

Finalizando os trabalhos, o diretor da Ecom Gás, Percival Amaral, parabenizou o MME e a Petrobras, que estão propondo discussão e oportunidades de mudanças para o mercado. O diretor ressaltou a necessidade de regulação para evitar possíveis verticalizações estaduais, pois, caso isso ocorra, não haverá espaço para o desenvolvimento do mercado. Lembrou ainda que a diminuição do espaço ocupado pela Petrobras deve ser paulatina, a partir de 2020, quando se encerra o seu contrato com a Bolívia, e os agentes devem se preparar para oportunidades de aquisição da molécula, como a importação via GNL.

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Associe-se à ABRACEEL

Como outras organizações empresariais, a Abraceel se esforça para atender às necessidades de seus associados nos campos institucional, técnico e político. No entanto, ao contrário de outras associações, a Abraceel também se caracteriza como um promissor ambiente de negócios, onde as empresas se conhecem e fecham contratos entre si.

A associação dispõe de um grupo técnico extremamente atuante, cujo foco está permanentemente direcionado para os aspectos regulatórios que impactam o ambiente de comercialização. Nas sextas-feiras, a Diretoria-Executiva encaminha aos associados, com exclusividade, uma newsletter eletrônica, contendo uma análise de decisões do governo e do regulador bem como um relato sobre as atividades desenvolvidas ao longo da semana e as perspectivas para a próxima. Dessa forma, os associados da Abraceel não precisam investir no complexo monitoramento político/regulatório do setor elétrico.

A governança da Abraceel é bastante simples. As empresas associadas não sofrem discriminação, do ponto de vista estatutário, e todas pagam o mesmo valor de mensalidade, com direitos iguais nas assembléias, independentemente do porte. As empresas associadas indicam os seus representantes oficiais, os quais, na assembléia geral, elegem por voto direto e secreto os oito conselheiros. Cabe aos conselheiros contratar e avaliar a performance dos integrantes da Diretoria-Executiva.

Embora originalmente tenha sido constituída como uma associação de comercializadores de energia elétrica autorizados a funcionar pela Aneel, a Abraceel, hoje, está aberta à filiação de comercializadores de energia em geral: não apenas de energia elétrica, mas, também, de gás natural, etanol e créditos de carbono, inclusive agentes de geração. Caso a sua empresa queira conhecer mais a Abraceel ou queira se filiar, entre em contato com a Diretoria-Executiva, através do e-mail abraceel@abraceel.com.br ou então do telefone 61.3223.0081.

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